Valendo-se da reconstrução como operação estética, o trabalho de NOE MARTÍNEZ (México, 1986) parte de sua história pessoal para posicionar-se criticamente diante dos fenômenos sociais. Questões como a reivindicação étnica dos povos indígenas do México e o potencial político da memória estão no centro de suas reflexões sobre elaboração do passado comum. Seu trabalho foi exibido em diferentes museus do México – MUAC, Fundação Alumnos47, Museu de Arte Carrillo Gil, Museo Amparo, entre outros – no Palazzo Mora, em Veneza, no Art Center Kunstquartier Bethanien, em Berlim, e na Escola de Arte e Design, em Genebra. Recebeu o prêmio Ojo Alba Brothers pelo melhor documentário do XV Festival Internacional de Cinema de Morelia, e fez parte da seleção oficial do festival Native Crossroads, em Oklahoma, nos Estados Unidos.

No vídeo INTERRUPCIÓN DEL SUEÑO (2018), a interrupção do sonho surge como uma investigação de documentos indígenas coloniais do século XVI em Michoacán, com os atuais Purepechas que habitam esse estado no México. O vídeo surge do trabalho realizado na comunidade de Cherán, que conquistou sua autonomia em 2011, depois de se levantar e expulsar traficantes de drogas e partidos políticos de seu território. Em meio a máscaras, música, procissões e rituais, a peça narra a mudança dos 12 conselheiros (keris) que compõem o Conselho Maior do Governo Comunal, corpo coletivo de poder de Cherán. O espectador encontra uma nova dimensão simbólica da representação política do coração dos movimentos sociais indígenas do México.

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