Claudia Andujar Neuchâtel, Suíça, 1931

Desde o início de sua carreira, Andujar interessou-se por temas e grupos à margem da cultura dominante – dos internos de um hospital psiquiátrico a participantes de sessões espíritas –, registrando a potência vital dos personagens fotografados. Sua atividade como fotojornalista leva-a primeiramente à tribo dos Carajás e, em 1971, ao povo Yanomami, então recém contatado. Reconhecida internacionalmente, sua produção integra o acervo dos principais museus do mundo, como o MoMA, em Nova York; a Maison Européene de la Photographie, em Paris; e o Instituto Inhotim, em Brumadinho, Brasil. Publicou os volumes Marcados (2009), A vulnerabilidade do ser (2005), e Yanomami (1998), entre outros. Vive e trabalha em São Paulo.

Catrimani
1971-1972, slideshow com seleção do livro Amazônia
cortesia Galeria Vermelho
Casulo humano (rito mortuário Yanomami), da série Casa
1976, fotografia, 150x100cm
cortesia Galeria Vermelho

Publicadas pela primeira vez no livro Amazônia – realizado em parceria com George Love e atualmente esgotado –, este conjunto de imagens dá testemunho de um fragmento da floresta, tomada em sua complexidade humana, animal e vegetal. A sequência projetada em slideshow registra um momento lúdico de um grupo Yanomami na mata. Ao contrário do que se vê em séries mais famosas da artista, aqui a presença dos corpos frente à câmera produz imagens delicadas, onde os Yanomami brincam e conversam, como se partilhassem um espaço familiar. Casulo humano mostra parte do rito fúnebre Yanomami, no qual o cadáver é posto em uma espécie de casulo, por sua vez preso a uma estrutura de madeira na mata até que seque totalmente, para então ser cremado e ter suas cinzas misturadas ao mingau que seus parentes partilharão.