Depoimento 2019

Para falar do meu trabalho – um vídeo e um fanzine – na 21a Bienal, gosto de pensar que, em diferentes ambientes, encontramos regras diferentes para a legitimação do objeto artístico como “obra de arte”. No mundo da mídia impressa, nos quadrinhos, na videoarte, no teatro, na televisão, no cinema, em museus, centros culturais, redes sociais etc. Aparentemente, nem toda obra obtém legitimação da mesma forma, no mesmo lugar. O que é uma “grande obra de arte” em um museu pode não sê-lo na indústria do cinema, e vice-versa.

Se formos descrever o trabalho em vídeo NOO, não é, na verdade, muito diferente de um stories do Instagram. No entanto, apresento a obra como um videozine ou uma publicação em vídeo para lhe conferir sua própria ficção e sua própria existência. E a ação concreta de publicar um fanzine em papel, ao vivo, ao lado da instalação em vídeo, é para refletir e destacar esse prestígio/desprestígio do valor do trabalho como arte. Também o uso do vídeo na vertical é um movimento de prestígio/desprestígio. NOO pode ser ZOO, se você projetar a rotação.

A ironia é realmente um mecanismo comum na construção dos meus trabalhos. E, com o mundo de hoje em dia, é muito fácil fazer ironia. A maior parte dos zoológicos na Argentina está fechando, como se fosse aparentemente por uma decisão “verde” ou ecológica. Mas, na verdade, é muito caro fechá-los. Agora chamam os zoológicos de ecoparques, mas quase todos os animais ainda vivem lá, ou estão morrendo lá. O humor é usado como fonte para incluir ingredientes de ironia, em contraste, e não necessariamente para fazer rir. Eu simplesmente retrato o estresse real desses animais com um pouco de intervenção ficcional. Todas as referências culturais, a música, o “Noo” do Tarzan, estão presentes para que o público possa assumir essa ficção como uma história “real”. O mundo é tão cruel que acho mais fácil hoje se conectar com uma ficção do que com algo 100% real.