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A partir de diferentes matizes, o nacionalismo retorna como chave para a compreensão das disputas que moldam este nosso tempo, deixando no ar a pergunta sobre a duração e o alcance desse novo ciclo regressivo.

Nesse contexto, a 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Comunidades imaginadas toma de empréstimo o título do clássico estudo de Benedict Anderson sobre o nacionalismo para investigar como poéticas oriundas do Sul vêm elaborando o fenômeno. Sem abandonar o foco geopolítico, a equipe curatorial da 21ª Bienal, formada por Gabriel Bogossian, Luisa Duarte, Miguel López e Solange Farkas, pretende alargar o repertório de questionamentos e ampliar a diversidade das vozes que ouvimos. Contempla, desse modo, comunidades sem Estado, povos originários, comunidades religiosas, místicas ou refugiadas de seus territórios originais, comunidades fictícias, utópicas, clandestinas ou aquelas constituídas nos universos subterrâneos de vivências sexuais e corpos dissidentes.

Mudanças conceituais

A favor de um posicionamento mais nítido no cenário global das artes, e sem descuidar das mudanças em curso no nosso contexto local, adotamos de agora em diante o nome Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil. Com o dinamismo e a originalidade que o caracterizam, o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil chega a uma nova fase, integrando-se aos propósitos e ao calendário internacional de Bienais.

Mudanças a parte, permanece inalterado o estimulo à produção artística fora do sistema mercadológico, a geração de conteúdo reflexivo por meio de seminários, debates e publicações, as iniciativas de formação de público e o incentivo a uma troca concreta entre os artistas. Com abertura em outubro de 2019, a 21ª edição acontece no Sesc 24 de Maio e no Galpão VB e se desdobra em três plataformas curatoriais – exposição + programa de filmes, programas públicos e publicação –, cada uma a cargo de um curador convidado.

Programação

exposição

Joias africanas

Selecionado a partir da coleção do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, o conjunto reúne joalherias de três povos da África ocidental que deixaram marcas indeléveis na cultura brasileira: iorubanas da Nigéria, ashanti de Gana, e da cultura fon do atual Benim. 

O SNOB (1963-1969)

Jornal LGBTQI+ de produção caseira, O Snob foi idealizado e realizado pelo pernambucano Agildo Guimarães, no Rio de Janeiro, entre 1963 e 1969. Trazia notícias sobre os integrantes de uma rede de sociabilidade gay baseada no Rio.

Panoramas do Sul

As obras reunidas pela 21ª Bienal atestam as formas muito diversas como a ideia de comunidades imaginadas se manifesta e se exercita nas produções artísticas do Sul global.

performance

Digital soul

O artista cria um misto de culto e festa, misturando sons e imagens de uma diversidade de culturas e tempos do Sul global: ritmos tradicionais e tecnológicos, sons sintéticos e acústicos. 

No le digas a mi mano derecha lo que hace la izquierda

A performance consiste no apagamento de um desenho mural, com elementos da cultura de ascendência africana, feito com giz pelo artista em uma parede negra. Usando o próprio corpo como apagador, ele se esfrega na parede até a exaustão. 

Tela bordada

Um grupo de mulheres borda, com linhas coloridas, um tecido usado em necrotérios. Enquanto trabalham, elas narram suas histórias. 

The Last Harvest

Com referência em fotografias feitas por Marc Ferrez em 1882, a ação alude às tensões entre o escravizado, ansioso por se libertar, e o escravizador, que tenta impedi-lo. 

programas públicos

A (não) elaboração do passado e suas consequências no Brasil atual

Mesa dos Seminários, em que a curadora Luisa Duarte medeia as apresentações da psicanalista Maria Rita Kehl e da artista Rosana Paulino em torno da (não) elaboração do passado e suas consequências no Brasil atual.

A favor de uma nova imaginação política

Mesa dos Seminários, em que a a curadora Luisa Duarte medeia as apresentações do filósofo Vladimir Safatle e do teórico e crítico literário Márcio Seligmann-Silva em defesa de uma nova imaginação política.

A produção simbólica nos movimentos sociais

Mesa dos Seminários, em que a curadora Marilia Loureiro medeia as apresentações da arquiteta e diretora de arte Carla Caffé, da professora e pesquisadora Mariana Cavalcanti e de Carmen Silva Ferreira, liderança da Ocupação 9 de Julho, sobre a produção simbólica nos movimentos sociais.

Arte e pedagogia: Práticas Contra-hegemônicas no presente

Mesa dos Seminários, em que o curador Gabriel Bogossian medeia as apresentações da professora e arquiteta Marisa Flórido e do curador Pablo Lafuente sobre arte e pedagogia enquanto práticas contra-hegemônicas no presente.

Como viver junto? Atualizando a pergunta

Mesa dos Seminários, em que a curadora Ana Paula Cohen medeia as apresentações do filósofo Peter Pál Pelbart e da curadora Lisette Lagnado que buscam atualizar o problema do convívio coletivo.

Feminismos contemporâneos sob uma perspectiva decolonial

Mesa dos Seminários, em que a curadora Diane Lima medeia as apresentações da militante feminista Amara Moira e da pesquisadora Juliana Borges sobre feminismos contemporâneos sob uma perspectiva decolonial.

Imaginar em tempos de colonização das subjetividades

Mesa dos Seminários, em que a historiadora Juliana Braga medeia as apresentações da curadora Clarissa Diniz e da psicanalista Suely Rolnik em torno da imaginação em tempos de colonização das subjetividades.

Imprensa, ativismo e arte: Produções LGBTQI+ hoje e ontem

Mesa dos Seminários, em que o curador Gabriel Bogossian medeia as apresentações do escritor e ativista João Silvério Trevisan, do artista e cineasta Vitor Grunvald, do cineasta Paulo Mendel e do ativista Elvis Stronger sobre imprensa, ativismo e arte nas produções LGBTQI+ de hoje e de ontem.

Memória e política nos acervos latinos-americanos

Mesa dos Seminários, em que Fernanda D’Agostino, coordenadora do núcleo de acervo museológico da Pinacoteca, medeia as apresentações do curador e historiador da arte Paulo Herkenhoff e da museóloga e curadora Nydia Gutierrez sobre memória e política nos acervos latinos-americanos.

O tempo depois do advento da vida virtual

Mesa dos Seminários, em que a curadora Luisa Duarte medeia as apresentações do professor e curador Guilherme Wisnik e do professor e sociólogo Laymert Garcia dos Santos em torno do tempo depois do advento da vida virtual.

Os limites e as promessas da arte política

Mesa dos Seminários, em que o escritor e curador Miguel Angel López medeia a apresentação da escritora, ativista e curadora Lucy Lippard sobre os limites e as promessas da arte política.

Poéticas do Sul: Encontros com artistas: George Drivas, Clara Ianni, Marilá Dardot e Ahmad Ghossein

Nesses encontros, mediados pelos curadores do evento, os temas desta edição ressurgem na voz dos próprios artistas, aproximando o público das reflexões que norteiam a produção contemporânea do Sul.

Poéticas do Sul: Encontros com artistas: Hrair Sarkissian, Emo de Medeiros, Gabriela Golder, Ana Carvalho e Patricia Para Yxapy

Nesses encontros, mediados pelos curadores do evento, os temas desta edição ressurgem na voz dos próprios artistas, aproximando o público das reflexões que norteiam a produção contemporânea do Sul.

Poéticas do Sul: Encontros com artistas: Rosana Paulino, Koken Ergun, Mônica Nador, Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cris Araújo e Pedro Maia de Brito

Nesses encontros, mediados pelos curadores do evento, os temas desta edição ressurgem na voz dos próprios artistas, aproximando o público das reflexões que norteiam a produção contemporânea do Sul.

Resistência e imagem na produção do mundo indígena

Mesa dos Seminários, em que o fotógrafo e cinegrafista Kamikia Kisêdjê medeia as apresentações do pesquisador e curador Mario A. Caro e do ativista Ampam Karakras sobre resistência e imagem na produção do mundo indígena.

Visitas mediadas: Gabriel Bogossian e Mônica Nador

Abertas ao público, contam com a presença de artistas participantes e curadores. São ocasiões para o contato com a voz do artista, que discorre sobre seu trabalho, e para lançar um olhar sobre os caminhos trilhados pela exposição.

Visitas mediadas: Guilherme Teixeira e Paulo Mendel & Vitor Grunvald

Abertas ao público, contam com a presença de artistas participantes e curadores. São ocasiões para o contato com a voz do artista, que discorre sobre seu trabalho, e para lançar um olhar sobre os caminhos trilhados pela exposição.

Visitas mediadas: Luisa Duarte e No Martins

Abertas ao público, contam com a presença de artistas participantes e curadores. São ocasiões para o contato com a voz do artista, que discorre sobre seu trabalho, e para lançar um olhar sobre os caminhos trilhados pela exposição.

Visitas mediadas: Marilia Loureiro e #VoteLGBT

Abertas ao público, contam com a presença de artistas participantes e curadores. São ocasiões para o contato com a voz do artista, que discorre sobre seu trabalho, e para lançar um olhar sobre os caminhos trilhados pela exposição.

Visitas mediadas: Thais Rivitti e Rosana Paulino

Abertas ao público, contam com a presença de artistas participantes e curadores. São ocasiões para o contato com a voz do artista, que discorre sobre seu trabalho, e para lançar um olhar sobre os caminhos trilhados pela exposição.

ações

#resista

Na performance, que se relaciona à instalação sonora homônima apresentada pelo duo na exposição, as artistas ensinam o público a mover o assoalho pélvico como fosse um lápis e estivessem escrevendo a palavra “RESISTA” com ele. 

NOO

Nesta ação de ativação da obra homônima, que trata do papel dos zoológicos hoje, o artista convida o público a produzir zines em três encontros. 

Voçoroca - Aula aberta no Largo do Arouche

Expandindo as ações do coletivo para além do espaço físico da 21ª Bienal Sesc_Videobrasil, a aula aberta leva conceitos como tecnologias sociais e resistência ao público que frequenta o largo, sobretudo travestis e transexuais. 

Voçoroca - Baile das gayrotas

Disponibilizando acessórios como plumas, perucas, glitter, bigodes e chapéus, a ação cria uma espécie de microfone aberto para quem quiser se montar na hora e dublar uma música. 

Voçoroca - Experimento Poupatempo LGBT+

Ao longo de toda a 21ª Bienal, um guichê de atendimento à população trans oferecerá serviços de retificação de nome, confecção e impressão de currículo e apoio a vítimas de violência.

Voçoroca - Parque de diversões

Um processo de formação política desenvolvido através de jogos que relacionam gênero e identidade LGBTQI+ às leis que regem os corpos no espaço público, sejam oficiais ou apenas fixadas por tradições.